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Economia SAFRA

Produtor que adiou aquisição de insumos tem piora no poder de compra

No Cerrado, o Cepea analisou três praças – Rio Verde (GO), Triangulo Mineiro (MG) e Sorriso (MT) – em duas épocas de aquisição de insumos, sendo a primeira de janeiro a abril e a segunda, entre junho e setembro, do ano de 2021.

11/12/2021 às 10h03
Por: Maikon dallaqua Fonte: AGROLINK.COM
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FOTO: ILUSTRATIVA
FOTO: ILUSTRATIVA

Os elevados preços de comercialização da soja em grão garantiram produtividade de nivelamento (quantidade de sacas por hectare necessárias para quitar os custos de produção) favoráveis aos agricultores em boa parte deste ano. No entanto, a intensa valorização de importantes insumos agrícolas nos últimos meses vêm gerando preocupação entre produtores. Assim, aqueles que adiantaram as compras dos insumos da safra 2021/22 estão menos apreensivos do que os que deixaram para negociar apenas recentemente.  

Nesse cenário, o Cepea, em parceria com a CNA, realizou uma simulação, comparando as situações de produtores de soja Intacta que compraram insumos para a safra 2021/22 no início de 2021 e os que postergaram as aquisições. Foram tomadas como base duas importantes regiões produtoras do País: o Sul e o Cerrado.  No Cerrado, o Cepea analisou três praças – Rio Verde (GO), Triangulo Mineiro (MG) e Sorriso (MT) – em duas épocas de aquisição de insumos, sendo a primeira de janeiro a abril e a segunda, entre junho e setembro, do ano de 2021.

Os produtores do Cerrado que postergaram a compra de insumos tiveram uma diferença no COE (Custo Operacional Efetivo) de R$ 578,47/ha, ou seja, alta de 16,2% em relação aos produtores que realizaram as aquisições no início do ano (primeira temporada). Para o COT (Custo Operacional Total) e o CT (Custo Total), os aumentos foram de, respectivamente, 15,3% e de 11,3%, em relação aos registrados na primeira temporada de aquisição de insumos. Essa diferença representa 3,82 sacas de soja/ha a mais. 

Na região Sul, foram considerados os dados apurados pelo Cepea/CNA em Cascavel (PR), Camaquã (RS) e Xanxerê (SC). Entre o primeiro (de janeiro a abril/21) e o segundo momento de compras (de junho a setembro/21) para a safra 2021/22, foram verificados aumentos de 15,2%, 13,9% e 8,2% para, nessa ordem, COE, COT e CT. Sendo a produtividade de nivelamento acrescida de, respectivamente, 3,96
scs/ha, 4 scs/ha e 4,06 scs/ha. Ademais, ao serem analisadas as compras efetuadas em janeiro e em setembro, a alta no CT chega a 18,8%

Diante disso, os produtores que adiaram a aquisição de insumos foram mais prejudicados em relação àqueles que realizaram suas compras entre janeiro e abril. Isso se deve à valorização dos insumos, sobretudo dos fertilizantes. Esse panorama é pior para os sojicultores sulistas que, tradicionalmente, compram os insumos de forma mais tardia e, por isso, sofreram com a alta na produtividade de nivelamento, frente aos produtores do Cerrado. 

A tomada de decisão quanto ao período ideal de compra de insumos é difícil e, por isso, é importante que produtores sempre estejam atentos ao mercado internacional, ao dólar e ao avanço mensal na relação de troca de grãos por insumos. Nesta simulação, ficou evidente que, quem deixou para comprar “em cima da hora”, fez uma aquisição bem mais cara. Apesar disso, os elevados preços da soja ainda podem fazer com que agricultores registrem faturamento positivo na safra 2021/22.

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